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sábado, 20 de março de 2010

Economia Solidária, Soberania Alimentar e Agroenergia no PR



Seminário sobre Economia Solidária, Soberania Alimentar e Agroenergia, realizado em Maringá (PR) com a presença de Paul Singer e João Pedro Stédile. Encontro foi parceria entre a Unitrabalho, a Universidade Estadual de Maringá e o Sindicato dos Engenheiros do Paraná.
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Democracia e Cidadania - Depoimento Zezé Motta


Depoimento da atriz Zezé Motta após a proibição da palestra "A Força da Mulher", que seria realizada pelo Ciclo de Palestras Democracia e Cidadania, em Rio das Ostras. O evento foi proibido pela juiza Maira Valéria Veiga de Oliveira.
Categoria:  Entretenimento
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CORPO A CORPO


Documentário realizado em 1996, com fragmentos poéticos de Reinaldo Jardim, que retrata a delicada relação entre indíos Yanomami e garimpeiros, na floresta amazônica.INTERPRETAÇÃO DE PAULO GOULART
Categoria:  Pessoas e blogs
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Pedagogia da Autonomia - Paulo Freire

PAULO FREIRE E IVAN ILLICH - MARCHAS DO MST,MARCHAS DOS REPROVADOS,SOCIEDADE DESESCOLARIZADA,DARCY RIBEIRO, E ETC


Milton Santos: Esperança (1 de 10) -DOCUMENTÁRIO DE SILVIO TENDLER



Primeira parte do documentário sobre Milton Santos, de Silvio Tendler.
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Jacob Gorender

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Jacob Gorender (Salvador, 20 de janeiro de 1923) é um dos mais importantes historiadores marxistas brasileiros. Jovem, lutou na II Guerra Mundial, na Itália, como integrante da Força Expedicionária Brasileira.
Foi militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), do qual saiu nos anos 60, para participar da fundação do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Foi preso e torturado, quando da ditadura militar.
Entre seus trabalhos se destacam A burguesia brasileira, de 1981,e Combates nas trevas, de 1987. Sua principal obra foi a tese "O Escravismo Colonial", de 1978, de caráter revolucionário, na medida em que supera o debate sobre o caráter do passado do Brasil - feudalismo e capitalismo. Naquela obra, apresenta teoria para a compreensão da história colonial e imperial brasileira baseado na apresentação de modo de produção historicamente novo, a saber, o escravismo colonial.
Artigos e Ensaios
  • 1958 “Correntes sociológicas no Brasil”. ESTUDOS SOCIAIS, n.º 3-4, Rio de Janeiro, set./dez. de 1958, pp. 335-352;
  • 1958 “Política exterior em crise”. ESTUDOS SOCIAIS, Rio de Janeiro, 1958, nº 2, pp. 129-36;
  • 1958 “Revista Brasiliense. ESTUDOS SOCIAIS, Rio de Janeiro, maio/junho de 1958, nº 1, pp. 125-7;
  • 1959 “A espoliação do povo brasileiro pela finança internacional”. ESTUDOS SOCIAIS, nº 6, Rio de Janeiro, maio/setembro de 1959, pp. 131-48;
  • 1960 “A questão Hegel”. ESTUDOS SOCIAIS, Rio de Janeiro, nº 8, julho. de 1960, pp. 436-58;
  • 1960 “O V Congresso dos comunistas brasileiros”. ESTUDOS SOCIAIS, n. 9, Rio de Janeiro, outubro de 1960, pp. 3-11;
  • 1960 “Perspective de l’homme/Roger Garaudy”. ESTUDOS SOCIAIS, Rio de Janeiro, nº 9, outubro de 1960, pp.113-16.
  • 1963 “Direções da luta pela democracia em nosso tempo”. ESTUDOS SOCIAIS, Rio de Janeiro, nº 18, novembro de 1963, pp. 189-93.
  • 1980 O conceito de modo de produção e a pesquisa histórica. In: Lapa, J.R. do Amaral (org.). Modos de produção e realidade brasileira. Petrópolis, Vozes, 1980.
  • 1982 Introdução. In: Marx, Karl. Para a crítica da economia política. São Paulo, Abril Cultural, 1982. Coleção Os Economistas.
  • 1983 Apresentação. In: Marx, Karl. O capital. vol. 1. São Paulo, Abril Cultural, 1983. Coleção Os Economistas.
  • 1983 Questionamentos sobre a teoria econômica do escravismo colonial. Estudos Econômicos. São Paulo, IPE-USP, 1983. 1(13).
  • 1984 Nota sobre uma questão de ética intelectual. Estudos Econômicos. São Paulo, IPE-USP, 1984. 2 (14).
  • 1986 A participação do Brasil na II Guerra Mundial e suas conseqüências. SZMRECSANYI, T. & GRANZIERA, R.B. [Org.] Getúlio Vargas e a economia contemporânea. Campinas: UNICAMP, 1986.
  • 1987 A revolução burguesa e os comunistas. In: D’Incao, Maria Angela (org.). O saber militante. Ensaios sobre Florestan Fernandes. Rio de Janeiro, UNESP/Paz e Terra, 1987.
  • 1988 A face escrava da corte imperial brasileira. Azevedo, P. C. & LISSOVSKY, M. [Org]. Escravos brasileiros: do século XIX na fotografia de Chistiano Jr. São Paulo: Ex Libris, 1988. pp. xxxi-xxxvi.
  • 1988 Coerção e consenso na política. Estudos Avançados. São Paulo, IEA-USP, 1988. 3 (2).
  • 1989 Crise mortal ou reconstrução? Teoria e Debate. São Paulo, 1989, (n.8).
  • 1989 Do pecado original ao desastre de 1964. In: D’Incao, Maria Angela (org.). História e ideal. Ensaios sobre Caio Prado Júnior. São Paulo, UNESP/Brasiliense, 1989.
  • 1989 Introdução. O nascimento do materialismo histórico. In: Marx, Karl e Engels, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo, Martins Fontes, 1989.
  • 1990 Introdução. Teoria econômica e política revolucionária no marxismo russo. In:. Bukharin. São Paulo, Ática, 1990. Coleção Grandes Cientistas Sociais. Fernandes, Florestan, (coord.)
  • 1990 Teoria econômica e política revolucionária no marxismo russo. BUKHARIN. Economia. São Paulo: Ática, 1990. [Coord. Fl. Fernandes.]
  • 1991 A escravidão reabilitada. LPH - REVISTA DE HISTÓRIA. Seminário sobre “Tendências contemporâneas da historiografia brasileira”. Universidade Federal de Ouro Preto, dezembro, 1991. Mariana, MG, LPH-UFOP, 1992. 1 (3).
  • 1991 Fim do milênio ou fim da História? LPH - Revista de História. Anais do VII Encontro Regional da ANPUH-MG. Mariana, MG, 1991. 1(2).
  • 1992 La América portuguesa y el esclavismo colonial. BONILLA, Hercaclio. [Org.] Los conquistados. 1492 y la población indígena de las Américas. Bogotá/Tercer Mundo/Flacso/Libri Mundi, 1992.
  • 1992 La América portuguesa y el esclavismo colonial. In: Bonilla, Heraclio (org.). Los conquistados. 1492 y la población indígena de las Américas. Bogotá, Tercer Mundo/ FLACSO/ Libri Mundi, 1992.
  • 1993 Liberalismo e capitalismo real. In: NÓVOA, Jorge (org.). A História à deriva. Um balanço de fim de século. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 1993.
  • 1994 A revolução de outubro: revolução ou golpe de Estado? In: Coggiola, Osvaldo (org.). Trotsky/ Hoje. São Paulo, Ensaio, 1994.
  • 1994 A vigência de O Capital nos dias de hoje. In: Coggiola, Osvaldo (org.). Marxismo Hoje. São Paulo, Xamã/ Depto de História da FFLCH-USP, 1994.
  • 1994 Sobre a dissolução da União Soviética. Crítica marxista. São Paulo, Brasiliense, 1994. 1(1)
  • 1994 Teses em confronto: do catastrofismo de Kurz ao social-democratismo de Chico de Oliveira. Universidade e Sociedade. São Paulo, ANDES, 1994. (n.6).
  • 1995 Confluências e contradições da construção sociológica. Revista Adusp. São Paulo, Associação dos Docentes da USP, 1995. (n. 4).
  • 1995 Conhecimento social e militância política em Florestan Fernandes. Praxis. Belo Horizonte, 1995. (n.5).
  • 1995 Estratégias dos Estados nacionais diante do processo de globalização. Estudos Avançados. São Paulo, IEA-USP, 1995. 9 (25).
  • 1995 Graciliano Ramos: lembranças tangenciais. Estudos Avançados. São Paulo, IEA-USP, 1995. 9 (23).
  • 1995 Hegemonia burguesa - reforçada pela prova eleitoral de 1994. Crítica marxista. São Paulo, Brasiliense, 1995. 1(2).
  • 1995 L’Hegemonie bourgeoise renforcé par l’épreuve electorale bresilienne. Cahiers marxistes. Bruxelas, julho-agosto de 1995.
  • 1996 Globalização, realidade e sofismas. Brasil revolucionário. São Paulo, 1996. (n. 25), maio-julho.
  • 1996 Globalização, tecnologia e relações de trabalho. Estudos Avançados. São Paulo, IEA-USP, 1996. 11 (29).
  • 1996 O pior já passou. Folha de São Paulo. 20 de outubro de 1996.
  • 1997 Entrevista a Alípio Freire e Paulo de Tarso Venceslau. In Rememória – Entrevistas sobre o Brasil do século XX. Ricardo Azevedo e Flamarion Maués (orgs.). São Paulo, Fundação Perseu Abramo, 1997.
  • 1997 Marighella, o indômito. In Tiradentes, um presídio da ditadura. Memórias de presos políticos. In Alípio Freire, Izaías Almada, J. A de Granville Ponce (orgs.). São Paulo, Scipione, 1997.
  • 1997 Uma vida de militância. Folha de S. Paulo (Jornal de resenhas). 13 de setembro de 1997.
  • 1998 A prova da história. ESTUDOS AVANÇADOS. São Paulo, IEA-USP, 1998. 12 (34).
  • 1998 O marxismo no final do século XX. In Contributions. Paris, Rencontre Intenationale, 1998. 8º dossié.
  • 1998 O proletariado e sua missão histórica. ALMEIDA, J. & CANCELLI, V. [Org.] 150 anos de Manifesto Comunista. São Paulo: Xamã: SNFPPT, 1998. pp. 19-28.
  • 1998 Onde falham os esquematismos e as simplificações. Prefácio ao livro de Arlene Clemesha intitulado Marxismo e judaísmo. História de uma relação difícil. São Paulo, Boitempo, 1998.
  • 2000 Desafios para uma força social emergente. Estudos Avançados. São Paulo, IEA-USP, 2000. 14 (39).
  • 2000 Gilberto Freyre – o talentoso reacionário. In Brasil revolucionário. São Paulo, Instituto Mário Alves, 2000 (n. 27).
  • 2001 Challenges for an emerging social force. In Brazil – dillemas and challenges. São Paulo, USP-EDUSP, 2002.
  • 2001 Era o golpe de 1964 inevitável ? In: Caio Navarro Toledo (org.). 1964: visões críticas do do golpe. Democracia e reformas do populismo. Campinas, Ed. da Unicamp, 1997. Reimpressão 2001.
  • 2001 Fleury – torturador e assassino em nome da lei. In Reportagem. São Paulo, Ed. Manifesto, 2001 (n. 18).
  • 2001 Marx, um homem comum. In Reportagem. São Paulo, Ed. Manifesto, 2001 (n. 19).
  • 2001 Prefácio. Carlos Fico. Como eles agiam. Rio de Janeiro, Record, 2001.
  • 2001 Somos todos afro-brasileiros. In Almanaque Brasil de cultura popular. São Paulo, Elifas Andreato Comunicação, 2001 (n. 26).
  • 2001 Tortura no Brasil denunciada na ONU. In Reportagem. São Paulo, Ed. Manifesto, 2001 (n. 20).
  • 2002 Liberalismo e escravidão. Entrevista. In Estudos Avançados. São Paulo, IEA-USP, 2002, n. 46.
  • 2003 Capitalismo pós-capitalista. In Folha de S.Paulo (Jornal de Resenhas). São Paulo, 08-02-2003.
  • 2004 O épico e o trágico na história do Haiti. In Estudos avançados, 18 (50), 2004.

[editar] Ligações externas

[editar] Fontes

  • GORENDER, Jacob. "Uma vida de teoria e práxis: uma entrevista com Jacob Gorender". Revista Arrabaldes, ano I, no. 1-2, set.dez. 1988, p. 135-154.
  • GORENDER, Jacob (entrevista). “Jacob Gorender: o PCB, a FEB e o marxismo” In.: Teoria & Debate, São Paulo, no. 11, jul/ago/set; 1990.

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Canal Livre - Miguel Nicolelis - Parte 1

http://www.youtube.com/watch?v=GdtKPXGDJtw

Canal Livre recebe o neurocientista Miguel Nicolelis

Ele é apontado como um dos 20 maiores cientistas do mundo. E pode ser o primeiro brasileiro a receber um prêmio Nobel. O neurocientista Miguel Nicolelis é o entrevistado do Canal Livre.
Palavras-chave: 

100 ANOS JOSÉ REIS - DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA


José Reis fala de seu trabalho e sua formação. Entrevista a Dra. Alba Lavras, através da SBPC.
Palavras-chave: 

Rio Amazonas - visto do espaço - Satélite da Nasa

O Auto da Compadecida - Trailer - ARIANO SUASSUNA



As aventuras de João Grilo, um sertanejo pobre e mentiroso, e Chicó, o mais covarde dos homens. Ambos lutam pelo pão de cada dia e tentam se livrar de várias enrascadas.

Obra de Ariano Suassuna
Categoria:  Filmes e desenhos
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Saudade de Chiquinha Gonzaga -AUTORIA E INTERPRETAÇÃO DE PAULINHO LIRA


Musica instrumental dedicada ao livre pensamento e expressão
Categoria:  Música
Palavras-chave: 

Antonio Madureira e Pau Brasil Rugendas


Antonio Madureira e Grupo Pau Brasil
São Paulo, 1983. No violão Paulo Belinati, sax e flauta Roberto Sion, piano Nelson Ayres, baixo Rodolfo Stroeter, bateria Azael Rodrigues e tocam: Rugendas , Jongo ( P. Belinati ), Conversa de botequim ( Noel Rosa ), Song for your mother
Categoria:  Música
Palavras-chave: 

HEITOR VILLA LOBOS - O Trenzinho do Caipira

Câmara Cascudo - O Mundo da Literatura - SESCTV - parte I


PARTE I: O Mundo da Literatura, programa exibido pela SESCTV, vai até Natal (RN) para entrevistar a filha e a neta de Câmara Cascudo e mostrar a casa que abrigou a família durante muitas décadas. Para completar, o especialista Tarcísio Gurgel conta um pouco mais sobre a trajetória intelectual do escritor.
Categoria:  Educação
Palavras-chave: 

Carmen Miranda "NA BAIXA DO SAPATEIRO"(COMPOSITOR: ARY BARROSO)



Na Baixa do Sapateiro
Ary Barroso


Na Baixa do Sapateiro eu encontreu um dia
A morena mais frajola da Bahia
Pedi-lhe um beijo, não deu
Um abraço, sorriu
Pedi-lhe a mão, não quis dar, fugiu
Bahia, terra da felicidade
Morena, eu ando louco de saudade
Meu Senhor do Bonfim
Arranje outra morena igualzinha pra mim
Oh! amor, ai
Amor bobagem que a gente não explica, ai, ai
Prova um bocadinho, ô
Fica envenenado, ô
E pro resto da vida é um tal de sofrer
Ôlará, ôleré
Ô Bahia
Bahia que não me sai do pensamento
Faço o meu lamento, ô
Na desesperança, ô
De encontrar nesse mundo
Um amor que eu perdi na Bahia, vou contar

Ô Bahia
Bahia que não me sai do pensamento...

ARTE RUPESTRE-PIAUÍ - BRASIL


IMAGENS RETIRADAS DO GOOGLE,DA ARTE RUPESTRE DE SÃO RAIMUNDO NONATO NO PIAUÍ,BRASIL. MÚSICA :O OVO - HERMETO PASCOAL .
VÍDEO DE NADIA STABILE - 03/11/2008
http://pichacoesciberespaciais.blogsp...
http://sarauxyz.blogspot.com
Categoria:  Educação
Palavras-chave: 

Luís da Câmara Cascudo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Luís da Câmara Cascudo
Luís da Câmara 
Cascudo
Cascudo em 1928, em colação de grau na Faculdade de Direito do Recife.
Nascimento 30 de Dezembro de 1898
Natal
Morte 30 de Julho de 1986 (87 anos)
Natal
Nacionalidade Brasil Brasileiro
Ocupação historiador, folclorista, antropólogo, advogado e jornalista
Magnum opus Dicionário do Folclore Brasileiro
Luís da Câmara Cascudo (Natal, 30 de dezembro de 1898 — Natal, 30 de julho de 1986) foi um historiador, folclorista, antropólogo, advogado e jornalista brasileiro.
Passou toda a sua vida em Natal e dedicou-se ao estudo da cultura brasileira. Foi professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O Instituto de Antropologia desta universidade tem seu nome. Pesquisador das manifestações culturais brasileiras, deixou uma extensa obra, inclusive o Dicionário do Folclore Brasileiro (1952). Entre seus muitos títulos destacam-se: Alma patrícia (1921), obra de estréia, Contos tradicionais do Brasil (1946). Estudioso do período das invasões holandesas, publicou Geografia do Brasil holandês (1956). Suas memórias, O tempo e eu (1971) foram editadas postumamente. Quase chegou a ser demitido por estudar figuras folclóricas como o lobisomem.

Índice

[esconder]

[editar] Posições políticas

Monarquista durante as duas primeiras décadas do século XX, durante a década de 1930, em combate e contraponto à crescente influência marxista no Brasil, e, em parte, sob a impressão causada pela assim chamada Intentona Comunista de 1935, quando Natal foi palco e sede da primeira tentativa de um governo fundado nas idéias marxistas da América Latina, Cascudo aderiu ao integralismo brasileiro e foi membro destacado e Chefe Regional da Ação Integralista Brasileira, o movimento nacionalista de extrema-direita encabeçado por Plínio Salgado. Desencantou-se rapidamente com o Integralismo, tal como outro famoso ex-integralista, Dom Hélder Câmara, e já durante a Segunda Guerra Mundial favoreceu os Aliados, demonstrando sua antipatia aos fascistas italianos e aos nazistas alemães. Fiel ao seu pensamento anti-comunista, não se opôs ao Golpe Militar de 1964, mas protegeu e ajudou a diversos potiguares perseguidos pelos militares. Muito contribuiu para a cultura na gestão do Prefeito de Natal, Djalma Maranhão.
Curiosidade Luis da Câmara Cascudo aparece no anverso da nota de 50.000 Cruzeiros

[editar] Livros de Luís da Câmara Cascudo

Casarão de Câmara Cascudo no Centro Histórico de Natal em Natal.
O conjunto da obra de Luís da Câmara Cascudo é considerável em quantidade e qualidade: ele escreveu 31 livros e 9 plaquetas sobre o folclore brasileiro, em um total de 8.533 páginas. Ninguém no Brasil, nem antes nem depois dele, realizou obra tão gigantesca com reconhecimento nacional e estrangeiro. É também notável que tenha obtido reconhecimento nacional e internacional publicando e vivendo distante dos centros Rio e São Paulo.
Os títulos listados estão seguidos das publicações originais e suas respectivas editoras. Atualmente alguns deles já foram reeditados por outras editoras.
  • Alma Patrícia, critica literária – Atelier Typ. M. Vitorino, 1921
  • Histórias que o tempo leva – Ed. Monteiro Lobato, S. Paulo, (out. 1923), 1924.
  • Joio – crítica e literatura – Of. Graph. d’A Imprensa, Natal (jun), 1924
  • Lopez do Paraguay – Typ. d’A República, 1927
  • Conde d’Eu – Ed. Nacional, 1933
  • O homem americano e seus temas – Imprensa Oficial, Natal, 1933
  • Viajando o sertão – Imprensa Oficial, Natal, 1934
  • Em memória de Stradelli – Livraria Clássica, Manaus, 1936
  • O Doutor Barata – Imprensa Oficial, Bahia, 1938
  • O Marquês de Olinda e seu Tempo – Ed. Nacional, S. Paulo, 1938
  • Governo do Rio Grande do Norte – Liv. Cosmopolita, Natal, 1939.
  • Vaqueiros e Cantadores – (Globo, 1939) – Ed. Itatiaia, S. Paulo, 1984.
  • Antologia do Folclore Brasileiro – Martins Editora, S. Paulo, 1944
  • Os melhores contos populares de Portugal – Dois Mundos, 1944
  • Lendas brasileiras – 1945
  • Contos tradicionais do Brasil – (Col. Joaquim Nabuco), 1946 - Ediouro
  • Geografia dos mitos brasileiros – Ed. José Olímpio, 1947. 2ª edição, Rio, 1976.
  • História da Cidade do Natal – Prefeitura Mun. do Natal, 1947
  • Os holandeses no Rio Grande do Norte – Depto. Educação, Natal, 1949
  • Anubis e outros ensaios – (Ed. O Cruzeiro, 1951), 2ª edição, Funarte/UFRN, 1983
  • Meleagro – Ed. Agir, 1951 – 2ª edição, Rio, 1978
  • Literatura oral no Brasil – Ed. José Olímpio, 1952 – 2ª edição, Rio, 1978
  • Cinco livros do povo – Ed. José Olímpio, 1953 – 2ª edição, ed. Univ. UFPb, 1979.
  • Em Sergipe del Rey – Movimento Cultural de Sergipe, 1953
  • Dicionário do Folclore Brasileiro – INL, Rio, 1954 – 3ª edição, 1972
  • História de um homem – (João Câmara) – Depto. de Imprensa, Natal, 1954
  • Antologia de Pedro Velho – Depto. de Imprensa, Natal, 1954
  • História do Rio Grande do Norte – MEC, 1955
  • Notas e documentos para a história de Mossoró – Coleção Mossoroense, 1955
  • Trinta "estórias" brasileiras – ed. Portucalense, 1955
  • Geografia do Brasil Holandês – Ed. José Olímpio, 1956
  • Tradições populares da pecuária nordestina –MA-IAA n.9, Rio, 1956
  • Jangada – MEC, 1957
  • Jangadeiros – Serviço de Informação Agrícola, 1957
  • Superstições e Costumes – Ed. Antunes & Cia, Rio, 1958
  • Canto de Muro – Ed. José Olímpio, (dez. 1957), 1959
  • Rede de dormir – MEC (1957), 1959 – 2ª edição, Funarte/UFRN, 1983
  • Ateneu Norte-Rio-Grandense – Imp. Oficial, Natal, 1961
  • Vida breve de Auta de Souza – Imp. Oficial, Recife, 1961
  • Dante Alighieri e a tradição popular no Brasil – PUC, Porto Alegre, 1963 – 2ª edição Fundação José Augusto (FJA), Natal, 1979
  • Dois ensaios de História – (Imp Oficial Natal, 1933 e 1934) Ed. Universitária, 1965
  • História da República do Rio Grande do Norte – Edições do Val, Rio, 1965
  • Made in África – Ed. Civilização Brasileira, 1965
  • Nosso amigo Castriciano – Imp. Universitária, Recife, 1965
  • Flor dos romances trágicos – Ed. Cátedra, Rio, 1966 – 2ª ed. Cátedra/FJA, 1982
  • Voz de Nessus – Depto. Cultural, UFPb, 1966
  • Folclore no Brasil – Fundo de Cultura, Rio, 1967 – 2ª edição, FJA, Natal;, 1980
  • História da alimentação no Brasil – Ed. Nacional ( 2 vol) fev. 1963), 1967, (col. Brasiliana 322 e 323) – 2ª ed. Itatitaia, 1983
  • Jerônimo Rosado (1861-1930) – ed. Pongetti, Rio, 1967
  • Seleta, Luís da Câmara Cascudo – Ed. José Olímpio, Rio, 1967 – org. por Américo de Oliveira Costa. – 2ª Ed. 1972.
  • Coisas que o povo diz – Bloch, 1968
  • Nomes da Terra – Fundação José Augusto, Natal, 1968
  • O tempo e eu – Imp. Universitária – UFRN, 1968
  • Prelúdio da cachaça – IAA, (maio, 1967), 1968
  • Pequeno manual do doente aprendiz – Ed. Universitária – UFRN, 1969
  • Gente viva – Ed. Universitária UFPe, 1970
  • Locuções tradicionais no Brasil – UFPE, 1970 – 2ª edição, MEC, Rio, 1977
  • Ensaios de etnografia brasileira – INL, 1971
  • Na ronda do tempo – Ed. Universitária, UFRN, 1971 (livro biográfico)
  • Sociologia do Açúcar – MIC – IAA, 1971. Coleção Canavieira n. 5
  • Tradição, ciência do povo – Perspectiva, S. Paulo, 1971
  • Ontem – (maginações) – Ed. Universitária UFRN, 1972
  • Uma História da Assembléia Legislativa do RN – FJA, 1972
  • Civilização e cultura (2 vol.) – MEC/Ed. José Olímpio, 1973
  • Movimento da independência no RN – FJA, 1973
  • O Livro das velhas figuras – (6 vol.) – 1, 1974; 2, 1976; 3, 1977; 4, 1978; 5, 1981; 6, 1989 – Inst. Histórico e Geográfico do RN
  • Prelúdio e fuga do real – FJA, 1974
  • Religião no povo – Imprensa Universitária, UFPb, 1974
  • História dos nossos gestos – Ed. Melhoramentos, 1976
  • O Príncipe Maximiliano no Brasil – Kosmos editora, 1977
  • Antologia da alimentação no Brasil – Livros Técnicos e Científicos ed., 1977
  • Três ensaios franceses, FJA, 1977 (do Motivos da Literatura Oral da França no Brasil, Recife, 1964 – Roland, Mereio e Heptameron)
  • Mouros e Judeus – Depto. de Cultura, Recife, 1978
  • Superstição no Brasil – Itatiaia, S. Paulo, 1985

[editar] Ver também

Bandeira do Rio Grande do Norte.svg A Wikipédia possui o Portal do Rio Grande do Norte. Artigos sobre história, cultura, atrações, personalidades e geografia.

[editar] Ligações externas

Wikiquote
O Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: Luís da Câmara Cascudo.

ROSSINI TAVARES DE LIMA - LIVROS

Abecê 
de Folclore - ROSSINI TAVARES DE LIMA
Abecê de Folclore
ROSSINI TAVARES DE LIMA


O leitor encontrará no Abecê de folclore um painel representativo do que compõe a cultura popular brasileira. O estudante, além disso, encontrará informações que contribuirão para a sua formação intelectual. Isso tem garantido o sucesso das várias edições deste livro. No Abecê entramos em contato com a Ciência do Folclore ­ como defendia Rossini ­, com os conceitos e metodologias que norteiam as pesquisas nessa área. O estudo da música, da linguagem e da literatura folclórica é apresentado mostrando a sua importância no panorama cultural brasileiro, e os contos populares recebem tratamento destacado. Além disso, o capítulo sobre a presença do folclore na nossa literatura colonial merece atenção especial do leitor. Por fim o "Pequeno Dicionário Musical", que encerra o Abecê de folclore, é uma preciosidade enquanto registro de época. J.G.M.G.


Romanceiro Folclórico do Brasil - ROSSINI TAVARES DE LIMA
Romanceiro Folclórico do Brasil
ROSSINI TAVARES DE LIMA


Antes de existirem os romances na forma que hoje os conhecemos - escritos e estruturados morfologicamente dentro de padrões da gramática normativa - as "estórias" e as tramas dos personagens eram contadas verbalmente, sempre acompanhadas de músicas. Rossini Tavares de Lima, através de seus estudos, nos proporciona o contato com esses "romances" pré-literatos, incluindo de maneira ilustrativa pequenas partituras dos temas cantados nesses contos.


Ciência
 do Folclore, A - ROSSINI TAVARES DE LIMA
Ciência do Folclore, A
ROSSINI TAVARES DE LIMA


A teoria da cultura espontânea formulada por Rossini Tavares de Lima é a resultante de uma experiência largamente vivenciada ao lado do povo cantante, dançante, contador de estórias e causos, supersticioso e profundamente religioso, temente a Deus e a forças adversas, imaginárias na maioria das vezes. As características do brasileiro são aqui reveladas pelos seus usos e costumes, pelos seus "modos de pensar, sentir e agir". Sua formação musical teve papel decisivo para as análises que nos legou das cantigas e na classificação dos instrumentos musicais folclóricos. O livro constitui um verdadeiro roteiro para todos aqueles que desejarem aprofundar seus conhecimentos sobre os métodos de pesquisa, a elaboração de questionários para entrevistas com informantes, a análise e a interpretação de dados e o estudo do folclore em textos eruditos.

http://www.planetanews.com/autor/ROSSINI%20TAVARES%20DE%20LIMA
http://www.submarino.com.br/produto/1/221564/?franq=134562

Casa do Sertanista

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Casa do Sertanista
Data da construção: Meados do século XVII
Estilo arquitetônico: Arquitetura colonial do Brasil
Cidade: São Paulo, SP
Casa do Sertanista ou Casa do Caxingui é uma residência construída em meados do século XVII no atual bairro paulistano do Caxingui.
A construção, remanescente do período colonial brasileiro apresenta diversas características típicas da casa bandeirista, com paredes em taipa de pilão, telhado de quatro águas, chão de terra batida[1].
Em 1958, casa foi doada à cidade de São Paulo pela Cia. City de Melhoramentos, seu proprietário na época. Entre 1966 e 1970 a casa passou por obras de restauração, recebendo a partir de então o Museu do Sertanista, com acervo dedicado à cultura indígena, que ali permaneceu até 1987[2]. Entre 1989 e 1993 foi sede do Núcleo de Cultura Indígena da União das Nações Indígenas e, desde 2000 abriga o Museu do Folclore "Rossini Tavares de Lima". Entretanto, as condições de conservação da casa e suas próprias características arquitetônicas tornam o espaço pouco apropriado para esse tipo de uso[1].

Referências

[editar] Ligações externas


[editar] Ver também


Palácio da Liberdade BH.jpg Este artigo é um esboço sobre patrimônio histórico no Brasil. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.

FORMAÇÃO DO BRASIL CONTEMPORÂNEO - CAIO PRADO JUNIOR

Completa renovação analítica na historiografia brasileira

Luiz Fernando B. Belatto
historiador007@hotmail.com
3º Semestre - História/USP, 5º Semestre - Jornalismo/PUCSP
Download: caioprado.doc, 32K

A década de 1930 representa um marco transformador na História brasileira, pelo menos no que se refere às artes e produção intelectual. A derrubada da República Velha e a instalação de um novo governo que procurou diminuir a dependência econômica do país em relação à agricultura monocultora, desenvolvendo um Estado com bases industriais e que atua na formação de uma burguesia industrial (o chamado Estado de Compromisso definido por Boris Fausto em A Revolução de 1930) abriram espaço para uma renovação na sociedade brasileira. Isso se manifestou em diversos campos, produzindo estudos e novas propostas para entender o Brasil, redescobri-lo em seus detalhes, problemáticas e buscar explicações para o momento pelo qual a nação passava. Pode-se dizer que 1930 é o início de uma intensa transformação no entendimento e nas interpretações sobre o Brasil: entram em cartaz estudos que, procurando no nosso passado colonial elementos que auxiliassem a explicar a conjuntura e as características que regiam o Brasil naquele momento, interagiam com as mais modernas teorias sociológicas e historiográficas vigentes na Europa. As análises a respeito da realidade do país produzidas no pós-30 dialogarão com as novas tendências de estudo no campo das ciências humanas, como por exemplo a interdisciplinaridade. Disciplinas como a História, Sociologia, Geografia, Economia etc. irão complementar-se na obra dos autores com o intuito de chegar a interpretações mais corretas e completas sobre a realidade nacional.
Dentre todas as obras que visavam compreender o Brasil, analisando e partindo de seu passado como colônia até o momento histórico em que foram elaboradas, uma destaca-se como a mais perfeita análise do período colonial e as implicações deste no presente momento nacional. Trata-se de Formação do Brasil Contemporâneo, do historiador paulista Caio Prado Jr. Publicado pela primeira vez em 1942, esse livro é o expoente máximo da obra de Caio, autor também de Evolução Política do Brasil e História Econômica do Brasil. De estilo simples, muito bem escrito, utilizando vasta base documental, Formação descreve as características econômicas, administrativas, populacionais e sociais do território brasileiro desde o início de sua colonização até os primeiros anos do Século XIX. A narrativa inclusive parte dessa última época, considerada pelo autor “uma síntese”: de um lado, representa o balanço final de toda a obra colonizadora ao longo de três séculos; de outro, constitui a chave para interpretar o processo histórico anterior a ele e o próprio Brasil daquele momento pós-1930. O corte, então, aborda o período de três séculos e é o fundamento para se compreender as modificações seguintes. Para Prado, na entrada do Século XIX o legado colonizador já estava consolidado no Brasil e o território começava a respirar ares de mudança (por exemplo, a vinda da Família Real Portuguesa, entrada das idéias políticas liberais francesas e maior influência inglesa na economia e sociedade) que influíram no processo de Independência da colônia.
A partir do momento em que considera uma ruptura do sistema colonial, Caio Prado penetra fundo no passado e na estrutura desse sistema. E, dentre várias conclusões a que chega, uma se destaca como a principal: mais de um século após a Independência, o Brasil ainda mantinha em diversos aspectos o caráter e as características de colônia, principalmente no que se refere à economia e sociedade.

Essa é a posição que o autor defende e demonstra ao longo de todo o livro. Prado mostra como as modificações pelas quais o Brasil passara e estava passando eram superficiais, havendo sempre a presença incômoda, invencível e indissociável no processo de evolução nacional. Para explicar isso, apresenta-nos o inovador conceito de sentido histórico, definido como “o conjunto de fatos e acontecimentos essenciais que constituem a evolução de um povo num largo período de tempo”. Diz Prado que o sentido manifesta-se ao longo da história desse povo, e que pode ser modificado com transformações profundas. No caso brasileiro, o sentido de formação de nosso povo (e que guiou a nossa colonização) é ser uma colônia especializada no fornecimento de produtos agrícolas tropicais para os mercados estrangeiros. Tudo no Brasil Colônia, afirma o historiador, surgiu e foi formado com o intuito de constituir uma unidade fornecedora de produtos comercializáveis para a Europa; não havia a preocupação de constituir uma sociedade ou uma administração organizadas e raízes nacionais firmes, mas apenas uma feitoria comercial. Esta foi a lógica de todo o período colonial, determinando o nosso sentido histórico e, com ele, a permanência de diversos aspectos coloniais na atual sociedade brasileira. O caráter agrícola (base de nossa constituição econômica) e suas relações com a sociedade, segundo Prado, implantaram-se de tal forma na formação brasileira que ainda podiam se fazer sentir presentes naquela época.

São exemplos desse sentido o processo de povoamento colonial, com os colonos recém-chegados e as correntes internas procurando sempre o litoral nordestino, nas regiões produtoras de bens agrícolas exportáveis; a constituição da economia nacional no tripé latifúndio- monocultura- trabalho escravo, voltado para o mercado externo e subjugando o mercado interno (que é uma base essencial para o desenvolvimento de uma nação); a utilização do negro como escravo apenas como força produtiva, banalizando-o e impedindo que contribuísse positivamente para a constituição de nosso povo; o surgimento de um setor “inorgânico” na sociedade colonial, localizado entre os senhores de terras e os escravos (os dois extremos sociais e diretamente implicados na estrutura produtiva), no qual seus componentes não possuem ocupação fixa ou força social (por estarem fora do campo econômico-produtivo) e se caracterizam pela desarticulação e desunião; a estrutura patrimonialista, na qual os senhores oligárquicos, donos de imenso poder na conjuntura econômica e social, consideram-se donos dos espaços público e privado; etc. Muito disso permanece até hoje (como a concentração, ainda intensa, da população no litoral; a presença sempre incômoda do latifúndio, atravancando o avanço agrícola e a reforma agrária; a presença de uma população não-integrada à economia e desarticulada, vivendo na miséria; etc.), o que comprova a atualidade da obra.

No entanto, Caio Prado não deixou de enxergar possibilidades de transformação dessa persistente ordem colonial. Formação é um livro constituído de uma contraposição dialética entre a permanência de estruturas coloniais e as constantes chances de derrubada dessa ordem, a ocorrer por intermédio da articulação interna e ação do setor “inorgânico”, ou seja, das classes mais humildes e pobres da população. Será a participação e integração deste setor na sociedade que possibilitará a queda dos resquícios coloniais, produzindo uma modificação e, quem sabe, a definição de um novo sentido histórico para o Brasil. O autor mostra que sempre foi essa população desarticulada que, sozinha e sem qualquer apoio, tomou as iniciativas para modificar a sociedade colonial e expandi-la além da monocultura litorânea exportadora. Por exemplo, o avanço da pecuária pelos sertões; o processo de povoamento do interior e expansão para territórios além do Tratado de Tordesilhas etc.

O livro de Caio Prado faz-se destacado também por propor, pela primeira vez, uma aplicação bem-feita do Marxismo na historiografia e análise do Brasil Colonial. O historiador utiliza-se de propostas marxistas para explicar a formação de nossa sociedade colonial e suas possibilidades de superação. Assim, o sentido histórico do Brasil, expresso na colonização, é uma demonstração do Materialismo Histórico, ou seja: a História como o eterno processo de produção humana das necessidades fundamentais e dos bens materiais para a sobrevivência. Dessa forma, o sentido de nossa colonização, ao produzir produtos agrícolas para o mercado externo, representa a satisfação material e desenvolvimento das economias e necessidades metropolitanas (o materialismo também faz-se presente nessa concepção de que nossa história e modo de ser de nossa sociedade reflete o fim de nossa formação: produzir bens agrícolas para o mercado externo). O mesmo processo gera a acumulação primitiva de capitais (que, segundo Fernando Novais, serão usados para a promoção, na Europa, do capitalismo industrial) por parte das metrópoles e a divisão do trabalho no processo produtivo, gerando sempre um pólo mais rico, que domina toda a produção (a metrópole), e outro, que é o produtor, totalmente alienado dos objetos e do acesso aos mesmos (a colônia). Prado também utiliza Marx para enxergar as possibilidades de superação das estruturas coloniais. Se a História é feita pelos homens mais simples (pois são a força produtiva da sociedade), é a ação e integração destes sob o interesse comum de satisfazer as necessidades fundamentais para sua sobrevivência que podem derrubar tal organização, que declaradamente os exclui e os aliena ao longo do processo produtivo.

Outro ponto de destaque do livro é a interdisciplinaridade. A obra fornece um panorama completo do Brasil Colonial interagindo diversas disciplinas em um mesmo estudo. Assim, as descrições históricas sobre o processo de povoamento vêm precedidas de uma apresentação das características geográficas do território, seus pontos mais atraentes para os colonos e os locais de repulsão; o mesmo procedimento descritivo é observado quando aborda as três principais áreas onde a pecuária se desenvolve; a produção açucareira da grande lavoura é analisada sob as perspectivas econômica, sociológica (ao denunciar a alienação e banalização da população escrava com a produção em larga escala – análise esta marxista) e crítica (afirmando ser um sistema produtivo rudimentar e criticando os colonos, que não buscavam novas técnicas para incrementar a produção); a narração dos fatos históricos sempre acompanhadas de comentários do autor e informações vindas dos relatos de viajantes e cronistas.

Portanto, Formação do Brasil Contemporâneo é a obra mais completa e informativa sobre nosso período colonial. Tornou-se merecidamente o exponencial da transformação intelectual observada com o advento dos anos 30 deste século no Brasil. Busca no nosso passado explicações para o Brasil deste século, bem como as chances de modificação da ordem colonial nela persistente. Se chega a ser em certas passagens extremamente crítico em relação à estruturação colonial e ao Brasil atual, Caio Prado não é pessimista. Pois soube reconhecer que a transformação da nossa sociedade pode ocorrer, pelas mãos do povo, oprimido e desarticulado desde aquela época. Ou seja, da mesma forma que a História está em transformação constante, o Brasil pode ter seu sentido histórico modificado. Basta acreditar e lutar para tanto.

FONTE : http://www.klepsidra.net/klepsidra2/resenha-caioprado.html

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